A raça humana concorda em uníssono que tudo o que queremos, no final das contas, é ser felizes. Queremos, em nossa maioria, ter uma vida repleta de paz, amor e tranquilidade, e, por isso, vivemos procurando meios para conquistarmos essa tão almejada felicidade. Entretanto, procuramos a felicidade onde nos foi ensinado a procurar, em uma vida estável com um companheiro(a), casa, carro, trabalho, filhos, viagens de lazer, etc... E, tudo isso junto nos fará ser verdadeiramente felizes. Portanto quando a sociedade caminha em busca da sua felicidade, geralmente utiliza-se estes parâmetros para atingi-la.
Gostamos muito de apreciar o conforto da vida, de uma boa casa e de um bom carro. Estes nos trazem "felicidade", mas em geral esta não costuma durar muito, após um tempo o carro e a casa já não parecem mais os mesmos de antes e perdem seu charme. Passamos assim a procurar um novo objeto que vá nos trazer de volta esta nossa felicidade, achamos um outro carro, outra casa ou outro parceiro(a). No fim das contas nenhum deles nos traz de fato a felicidade estável que tanto buscamos. Assim cria-se a questão: Se a felicidade, ao que parece, não se encontra por estes lados, onde então se encontrará?
Quantas pessoas conheço que possuem um excelente carro, casa e uma maravilhosa família, mas que no entanto sofrem muito mais que outras, que levam suas vidas no campo, com nada ou quase nada de real valor monetário.
Nas cidades de hoje há um número cada vez maior de pessoas que sofrem de stress, depressão e graves problemas físicos ligados diretamente ao stress e desbalances emocionais. Estes sintomas, por sua vez, são resultado de uma vida agitada e desgastante que a nova sociedade adotou para a sua busca pela felicidade.
Pode-se dizer que cada vez mais multiplica-se no mundo o sofrimento do ser humano, tornando a situação irônica, pelo fato que procuramos a felicidade justamente através do caminho que traz infelicidade a grande parte da humanidade.
Ensinados desde pequenos que o mundo é um local perigoso, cheio de maldade, em que é cada um por si, poucos de nós tiveram a chance de desenvolver compaixão, solidariedade e vontade de ajudar uma causa maior que nós mesmos.
Corre daqui, corre dali, competimos com nossos semelhantes, passamo-lhes a perna para tentarmos sair vitoriosos em uma constante batalha pelo “sucesso” que nos trará a nossa tão almejada felicidade, e, quanto mais forte lutamos e batalhamos por ela, mais distante esta vai ficando, cada vez mais opaca a idéia de paz e amor vai se tornando, tanto que por vezes acabamos nos esquecendo porque começamos, em algum dia de nossas vidas, esta louca luta pela sobrevivência. Os valores se transformam, já não é o amor e felicidade que encabeçam nossa motivação, e sim dinheiro e bens físicos.
Para a clássica sociedade ocidental, é difícil conseguir compreender o ponto de vista de comunidades espirituais e altruístas, como ecovilas, comunidades budistas e ashrams de práticas espirituais. Estas comunidades costumam sair do padrão normal de busca da felicidade, por não incluírem em seus objetivos principais a aquisição de nada material, simplesmente o desenvolvimento a nível espiritual, emocional, mental e físico.
Apesar das grandes barreiras, a sociedade está mudando. Cada vez um número maior de pessoas toma consciência que precisamos de mais em nossas vidas que somente aquilo que o dinheiro nos oferece. Essas pessoas começam a procurar orientação emocional e espiritual, pois inconscientemente estão cansados de serem emocionalmente e espiritualmente subdesenvolvidos.
Todos gostamos de ser amados, e, sabemos, consciente ou inconscientemente, o quão importante é a nossa relação com os outros, apesar de não sermos ensinados a relacionarmo-nos uns com os outros de maneira harmônica, afetuosa e cooperativa.
Já não ficamos satisfeitos simplesmente com o desenvolvimento econômico e financeiro, queremos mais! A cada momento novas pessoas despertam e demandam mais sustentabilidade, liberdade, igualdade, fraternidade e acima de tudo, humanidade.
Resta concluir, pela observação da sociedade como um todo, que a felicidade nada tem a ver com o que acontece de fora para dentro, que é, nada mais nada menos que um estado de consciência que desenvolvemos dentro de nós. Sabemos inconscientemente qual o caminho a ser trilhado, temos esta semente inata, é só uma questão de ajudá-la a crescer no amor ou deixá-la definhar no medo.
Volto a frisar que des do começo queremos somente ser felizes, e, a verdadeira felicidade nada mais é que um estado de consciência que se encontra a um suspiro de distância. Como reconhecer este estado dentro de si mesmo fica a critério de cada um, mas entendamos que nada que venha de fora pode proporcionar este mesmo estado de felicidade interna.
"Felicidade é quando o que você pensa, o que você fala e o que você faz estão em harmonia" — Mahatma Gandhi
"Happiness is when what you think, what you say, and what you do are in harmony."
— Mahatma Gandhi
Ps: Reconheço haver em minha mente muitas outras variáveis para apresentar nesta questão, mas deixo reservados meus pensamentos excessivos, pois essa é a base do raciocínio.
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