sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Conexão / Connection

Uma jornada que já leva mais de 20 anos encontra agora o seu destino em Manjarín. Local nas montanhas do Caminho de Santiago sem água ou luz, povoado por um total de doze pessoas. Como é que a vida me levou a desejar a ficar aqui, neste suposto fim de mundo? É nessas horas que venho a relembrar que o plano divino age por caminhos incompreendidos pela mente humana, e, nós temos de estar sensíveis o bastante para poder agir de acordo com a consciência divina.

Minhas buscas espirituais me trouxeram aqui.

Sempre ouvi muitas coisas de minha mãe a respeito de diversos assuntos dentro dos quais alimentação e saúde eram o centro das informações. No entanto fui divergindo para uma maior compreensão da esfera espiritual e divina do ser humano que, a partir dos meus 18 anos e da minha decisão interna de contribuir para mudar este mundo, passou a fazer uma parte cada vez maior em minha vida. Apesar de ir buscar diferentes aprendizados e verdades para essa grande questão espiritual, como o que fazer e qual caminho tomar para a iluminação, acabei por sentir que estes lugares onde busquei informações faltavam algo mais, uma certa essência que ressonasse comigo. Mesmo assim, o conhecimento e as experiências espirituais acabaram vindo a mim de uma maneira ou de outra, mesmo não sendo muitas ou extremamente evidentes.

O que nisto tudo sempre me importunou demasiadamente, foi o fato de não ter ninguém para trocar conhecimentos, uma pessoa que estivesse nesta mesma fase que a minha, com dúvidas, dificuldades e progressos similares para trocarmos informações e assim sentir que não estava sozinho e perdido neste mundo. Apesar de nunca realmente me sentir sozinho de verdade, senti-me perdido, como se não fizesse parte de nenhum grupo, de qualquer grupo de pessoas, espirituais ou não.



Sendo assim passei, e ainda passo, tempo tentando saber qual será o meu verdadeiro lugar de aprendizado, onde obterei informações e as praticarei para minha evolução. Dito isto, sei que a minha evolução só depende de mim, que a verdadeira resposta reside dentro, não fora. Fácil é falar, fazer, experienciar o medo, as dúvidas e incertezas sobre si mesmo e suas capacidades é outra coisa completamente diversa. No final é esse tal medo de errar, perder, falhar e sofrer que me afligem, por serem possibilidades neste nosso futuro desconhecido pela mente.

Por alguma razão que nem sei, vim fazer o caminho de Santiago. Sem expectativas ou informações sobre a historia do caminho, simplesmente vim. As experiências que o caminho me trouxe foram indescritíveis, passando por quase todo o leque de emoções possíveis. O aprendizado sobre o meu próprio ser foi incrível, descobrindo e trabalhando partes de mim que até então nunca parei para prestar muita atenção. Dês das planíces áridas na rota Burgos-León, onde trabalhei a minha introspecção, até as montanhas verdejantes da região do Bierzo e da Galícia, onde trabalhei meu contato com o mundo e os que nele habitam.

A verdade é que antes de começar o caminho, tive a feliz sorte de encontrar uma pessoa incrível que me apontou diversas coisas sobre o caminho, entre elas, lugares, pessoas e experiências incríveis. Uma delas sendo a razão da minha vinda hoje aqui.

Ao chegar em Manjarín a verdade é que eu já tinha certa expectativa a respeito dos encontros que eu haveria de ter. Devo dizer é claro, que o imaginário não fazia de modo algum jus ao real, mas enfim. Na minha primeira estadia em Manjarín, em finais Outubro de 2010, quem primeiro encontrei foi a pessoa que andaria grande parte do caminho junto comigo, Femke, esta pessoa e o que passamos merece para si uma narrativa própria, mas isto fica para outro dia.

Conheci Tomás, um homem peculiar de conhecimento diverso e de natureza também espiritual, que apesar de não ser propriamente a minha linha, eu simpatizo e aprecio. António um homem de temperamento intenso e direto que pode assustar a primeira vista, mas logo se nota ser muito atencioso, trabalhador e amigável com todos que lhe respeitam. Os espanhóis possuem de maneira geral um personalidade bem intensa que realmente só vendo para entender. Resta dizer que impatizei-me muito com os dois, mas no entanto, havia uma pessoa que me faltava conhecer.

Ela apareceu já no final da tarde pelo meio da rua, trazendo seu cão. Parecia distante, pensativa em algo, então resolvi não perturbar. Já dentro do albergue estávamos nós, o grupo de peregrinos, conversando com Tomás e António e preparando-nos para a ceia, no entanto ela se abstinha da conversa pois havia se focado por completo no computador, sendo que assim acabamos por trocar somente meia dúzia de palavras nesta noite, o que me faz perder um pouco as esperanças de um encontro marcante com ela. Dez horas, fomos todos dormir no sótão, logo abaixo ao céu de raios claros e fortes ventos.

Após uma noite tempestuosa de intensas energias, acordamos, e, passada a oração matinal, levantamo-nos. Já não tinha mais esperanças de poder conversar com ela, não havia aproveitado a noite anterior, já eram quase oito e meia da manhã e nos poríamos mas uma vez em marcha. No entanto, por não ter dito na noite anterior, resolvi me apresentar e dar as saudações de nossa amiga em comum. Nesse momento foi como se um véu se abrisse e Navi tivesse recebido o maior elogio possível, ela abriu um grande sorriso e assim nos pusemos a conversar por duas horas a fio sobre os mais diversos assuntos.


Me pus em rota pelas dez e meia da manhã após um encontro marcante. Pude sentir pela primeira vez dês de que tomei consciência de minha jornada espiritual que havia alguém neste mundo que me entendia, me senti conectado.

Uma das muitas coisas que vi em Navi foi uma pessoa de profunda vivência e conhecimento. Vi tudo isso em seus olhos, seus olhos castanho-negros de um tom pontual, sóbrio e centrado, de quem tem certeza de si. Por isso e outros motivos, senti que eu realmente deveria retornar e aprender com ela, coisa que de momento não recordo de ter acontecido antes e com outra pessoa.


Parte 2
Agora, quase três meses depois, aqui me encontro. Assim a vida continua...

Meus dias em Manjarín foram indescritíveis, e agora aqui estou eu, em um ônibus e a caminho de Lisboa. Dês de começar a ver as coisas com outra mentalidade até começar a realmente ver outras coisas. Minha grande questão agora vai ser como voltar ao meio ambiente da cidade e seguir o meu caminho de harmonia e desenvolvimento espiritual.

Navi me ensinou, de sua maneira, diversas coisas das quais a maioria atuou no subconsciente. Talvez pelo tempo não ter sido suficiente, acabando eu por não poder assimilar muitos de seus conhecimentos. Muitos dos conhecimentos, ainda agora eu não entendo o seu sentido e talvez nunca entenda, mas fato é que sei muito bem que têm o seu sentido e propósito, apesar de ainda não compreender.

A verdade é que não havia muitos ensinamentos teóricos, tal como a vida, e o objetivo era simplesmente aprender vivendo. A cada momento, um momento para por em prática ensinamentos espirituais, porque na verdade, como agora realmente compreendo, trabalhar a espiritualidade e desenvolvimento pessoal, não tem nada a ver com somente sentar em uma posição específica e meditar, ou ler muito sobre diversas coisas e aprender tudo sobre quase tudo. A magia está em cada movimento, em cada palavra, e, principalmente em cada pensamento. O processo de desenvolvimento espiritual nunca acaba, nunca para e, por mais que queiramos, não pode ser deixado para “depois” pois o único momento que existe para trabalharmos é agora.

Navi é o ser, que posso dizer com certeza, dos mais evoluídos espiritualmente que já vi em minha vida. Tem suas peculiaridades e suas partes a evoluir e transcender  tal e qual como todos nós, inclusive muitos em nossa sociedade podem vê-la como uma pessoa louca e desiludida, talvez por sua imagem, mas uma sociedade tão supérflua e deturpada quanto a nossa ainda não possui a capacidade de olhar por detrás da capa do livro e saborear suas páginas de sabedoria. 


"Aceite as coisas que o destino o vinculou, ame as pessoas com quem o destino lhes junta, mas o faça com todo o seu coração"
— Marcus Aurelius 







A journey that has been taking place for more than twenty years now find it self brought to Manjarín. A place in the mountains of Spain, part of the “Camino de Santiago”, without light or water and populated by a most of twelve people. How is it that life have made me wish to stay here, in this supposed god’s forsaken place? On these moments I come to remember that the divine plan sometimes acts by ways uncomprehended by the human mind, and we have to be sensible enough to be able to act in accord with this divine consciousness of ours.

My spiritual searches have brought me here.

I always heard many things from my mother regarding various subjects of wich food and health were the center of informations. However, I diverged to a greater comprehension of the human being’s spiritual sphere that, since my eighteen years and my internal decision to contribute to the changing of this world, has begun more and more to take conscious part in my life. Even though I went looking for teachings and truths for this great spiritual issue, in general: what to do and wich way to take  towards illumination. I ended up always feeling that these places where I sought the informations lacked something more, a certain essence that would ressonate with me. Even so, the knowledge and the spiritual experiences came to me one way or another,  even no as many or as extremely evident.

What always bothered me awfully about all of this was the facto f not having anyone to Exchange knowledges, someone on the same page as I was, with doubts, difficulties and simmilar progress, so that we could exchange informations, so that I would not feel as lost and alone in this world. Don’t get me wrong, I never really felt truly alone, but I felt lost, as if I did not make a part of any group, on any level of it, spiritualy or not.

I passed, and still pass time trying to find my true place of learning, where I will obtain informations and will practice them for evolution. That being said, I know that my evolution only depends on me and that the true answer reside within, not outside of me. It’s easy to talk, to do, experience the fear, the doubts and incertanties about yourself and your capacities is something distinct. In the end is this fear of err, lose, fail and suffer, for these are all possibilites on our mind.

For a reason that even I don’t know, I came to do the Santiago’s way. No expectations or informations about the history of the way, I simply came. As for the experiences on the way, thy were indescribable, passing through almost every kind of possible emotions. The learning about my on being was incredible, discovering and working parts of me that untill this time I never stopped to take close attention.. From the arid Plains of the rout Burgos- Leon where I worked my introspection, to the verdurous mountains of the region of Bierzo and Galícia where I worked on the contact with the world and those wich inhabit it.


Truth is that, before starting the way, I had the luck to encounter an incredible person, that has indicated me lots of things about it. Among places, people and incredible experiences to be had. One of thos being the reason of my coming here today.

As I got to Manjarín, truth is that I already had a certain expectative about the meetings I was bound to have. I must say that, evidently my imagination did not do justice to the real thing, but anyway. On my first say in there, end of october 2010, the first thing that I found was the person that woul walk the way with me, Femke, this person and what we been through desirves a proper narrative of its own, but that’s for another day.

I met Tomás, a peculiar man of diverse knowledge and spiritual nature, that, even though not my line, I understand and apreciate. António, a man of intense temper and very direct, some could be scared at first glance, but soon enough we find him to be very attentfull, hard working and friendly with all that respect him. I sympathizes a lot with both, however, there was a person that I still had to meet.

She appeard at the end of the afternoon on the middle of the road, bringing her dog. She seemed distant and thoughtfull, so I decided not to disturb. After a while we were all inside the albergue, the grou of pilgrims chatting with Tomás and António and doing preparations for the supper as she was completely focused on the computer. This night we ended up exchanging only half a dozen words. At ten we went to sleep, getting prepared for another day of walking.

After a wild night of intense energies, we woke, and, afer the morning prayer, got up. There was no hope left of speaking with her, I had not made use of the day before when I had the chance, it was almost half pás eight and we would put ourselfs in march anytime soon. Though I did not say anything the night before, I decided to present myself and send the greetings from our common friend. The moment I spoke about our  friend was as if a veil had opened and Navi had recieved the greatest praise ever. She put up a big smile and we began to talk for over two hours about the most various subjects, only stopping because she had to work.

After this outstanding encounter, I put myself again on route, about ten in the morning. I could feel, for the very first time as I had started this spiritual journey, that there was someone in the world that understanded me, I felt connected.

One of the many things I recognized in Navi was a profound experience and knowledge gained through her life pathways. I could see this on her eyes, her darkish brown eyes of an punctual feeling, sober and centered, as one that is certain about himself. Because of this and other things, I felt the I should return and learn as much as I could, something that I do not recall having done before with anyone else.


Part2
Now, almos three months later, I find myself here. And life goes on...

My days in Manjarín were indescribable, now here I am, finding myself on a bus back to Lisbon. From starting to see things from a different perspective to really start to see new things, I passe through many experiences. My great question now its going to be how to come back to the environment of the city and to follow my way of harmony and spiritual development.

Navi has taugh me on her own way, many things of wich have acted at the subconscious. Maybe for the time being short  I was not able to assimilate some of her knowledges. Many of them I still don’t quite understand and maybe never will, but the fact is that I know they have sense and purpose, even if I don’t fully get it.

Truth is that there were no great theoretical teachings. As in life, the objective was to learn by living. Each moment is a moment to put in practice  all the knowledge one has, as I see now, working spirituality doesent has to do only with sitting on a specific position and meditate, or to read a lot about many things trying to learn only brainwise. The magic is in each movement, word and specially, in each thought. The process of human development never ends, never stops and, as much as we may want it, it cannot be left to be done later, because the only moment that exists for us to work on is now.

Navi is, without a shadow of doubt, one of the most evolved beings i have seen in this life. She has her peculiarities and her own parts to evolve and transcend like anyone of us. Many on our society could see her as a mad and desillusioned person, maybe for her image or her view of the planet. However, a society so superfluous as ours still doesent have the capacity to look behind de book cover and savor its pages of wisdom.


"Accept the things to which fate binds you, and love the people with whom fate brings you together,but do so with all your heart."
— 
Marcus Aurelius 

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