Chega um momento em que parece que estou em suspenso, a pairar, sem eira nem beira. Parece que não tenho lugar para ir ou voltar, que não importa o que fiz, faço ou que venha a fazer. Talvez seja esse o momento em que perco noção de mim. Quero tanto achar esta resposta que jaz aqui dentro, que me perco no frenesi impetuoso de minha massa cefálica. Nessa hora, existe dentro, um dispositivo de proteção que entra em ação para que não venha a sofrer, uma fuga para um local menos doloroso e conturbado.
Um desvio, para algum local não tão incômodo quanto essa caixa craniana, que contém uma realidade que é demasiada forte para suportar. Qualquer coisa serve, seja física, emocional, etc... Venha como vier, em qualquer forma, tamanho ou estilo. E o desvio acalma, desde que não se tenha que ficar ouvindo essa voz desagradável dizendo o que não quero ouvir.
A parte mais chata é quando ela começa a bater cada vez mais forte na porta dos fundos até que decide entrar a força no primeiro plano. É de fazer qualquer um perder a cabeça.
É a voz interior. Que será que ela quer dizer? Lembro que existe dentro de mim uma razão, uma consciência, querendo me dizer algo. "Por favor, cale-se", penso eu. Palavras, imagens e sensações de difícil digestão circulam pelo bestunto. Tudo que eu quero é ir para um local longe daqui!
Começo a me sentir frustrado comigo, com a vida, com tudo. Alguém por favor me traga uma droga que me possa amparar. Já não aguento mais esta consciência!
Depois de muito refletir e passar por esta experiência algumas vezes descubro que não cheguei a lugar nenhum. Minha droga não me foi suficiente para inibir a consciência permanentemente. Vejo-me em suspenso mais uma vez. Já decidi que a fuga para os desvios dos becos sem saída de nada resolvem.
Nenhum comentário:
Postar um comentário